portrait por cel vivacqua / »>foxrock«<sul de dublin»>irlanda«< \ 16 de junho de 2009
Presente Mitológico:
Work in Regress…
Whoroscope
- ..."a contemplação do mundo independentemente do princípio da razão" (assim define 'o procedimento artístico', Schopenhauer). ...em recente entrevista, fui indagado a respeito da existência/confecção de OM'S LAST TAPES. ...uma partícula (pseudocabotina) aqui:
- M.W. (Porta-Voz do extinto Pasquim virtual 'Banda & Sarabanda'; Wojzicki, Melquior): A respeito de novas territoriedades, do que se trata esse blog à hitchcock?
- O.M. (Artista mal visto e mal dito, virtuose de vazios e detrictus; Melgaço, Otacílio): É um pedaço de meu obsessivo e enclausurante monólogo beckettiano. Nada tenho a dizer, mas somente eu sei como dizer. Eu-Ele. Samuel Beckett: por sinal: nada de 'eu', nada de 'ter', nada de 'ser'. Nada de nominativo, de acusativo, de verbo. A consternação por trás da forma, não na forma, antiform(ul)a. Vertigo! A experiência do não-conhecedor, não pode-dor (o que não tem como, não pode). A inominalidade de um quase slippery Irish, a eleuthérica i.r.a. (?) desse Français auto-adopté...: não consigo me desvencilhar de.
- M.W.: Trata-se de uma fidelidade ao conceito de que ser artista é falhar? Como ninguém mais ousou falhar? Que, levando-se em conta o universo de Beckett, o fracasso é o mundo que cabe ao artista porque o artista é aquele que desiste do abominável automatismo estilizado?
- O.M.: Pois sim! Tudo desde sempre. Nunca outra coisa. Nunca ter tentado. Nunca ter falhado. Não importa. Tentar outra vez. Falhar outra vez. Falhar melhor. E sendo as-sim, recuar diante do fracasso seria uma deserção; resignar-se ao artesanato e habilidade, prendas domésticas, vida...não permitindo que o Mistério nos invada. A irracionalidade de pi é uma ofensa contra a deidade, para não falar da criatura.
- M.W.: OM'S LAST TAPES formariam talking heads fantasmagóricas?
- O.M.: Nakedspeakingintonguestruestorieslittlecreaturesremaininlight. To the light house... Pergunta-se: "Watt"? Responde-se: "Knott"! Ossos do Eco. Substituir a claridade do sentido por aproximar-se de um certo nível (r)elevante de consciência, ato complexo pois puramente experimental - como é de meu gosto ou condenação. Nomear: não; dizer, não, (o) nada é dizível... Ubi nihil vales, ibi nihil velis! Prostitutoscópios!: OM'S LOST TAPES...
- M.W.: Desse ponto da perdição, até que instância seus solipsismos se tornariam um só?
- O.M.: Creio que são ruínas intercirculares... Felizmente, alegorias - como queria Benjamin, W-alter - são ruínas da realidade... 'M': inicial corriqueira que batiza as personagens de 'Muel - quando não é denunciada pela inversão também corriqueira para W. Murphy, Molloy, Moran, Malone, Marthe, Moll, Mahood, Macmann, ... , Me, Moi, Melgaço.
- M.W.: Quer dizer que O.M. se coloca como um...
- O.M.: ...se quiser...um...Origami Humano!
- M.W.: OM'S LAST TAPES seria talvez um parto não para a morte mas na morte? Da morte o dar à luz?
- O.M.: Se a vida e a morte não se apresentassem ambas a nós, não haveria inescrutabilidade alguma. Se houvesse apenas a escuridão, tudo estaria claro. É porque não há apenas a escuridão, mas também a luz, que nossa situação - assim como a de OM'S LAST TAPES - se torna inexplicável. Em suma: somente onde há o escuro e a luz é que há o inexplicável (a arte a levantar questões que não tenta responder). Incapacidade de agir logo obrigatoriedade de agir. A expressão de que não há nada a expressar, nada com que expressar, nada a partir do que expressar, nenhuma força para expressar, nenhum desejo de expressar, junto com a obrigação de expressar. Não querer dizer, não saber o que se quer dizer, não poder dizer o que se acredita que se quer dizer, e sempre dizer...ou quase. Comment (In)C'est...
- FIN DE PARTIE / ENDGAME do diálogo ready-made, talvez
- (agradecimentos ficam prestados a F.S.A.)
Mal Vu Mal Dit! Stands there staring out. Stock still staring out. Nothing stirring in the black vast!: nihil in intellectu quod non prius in sensibus………………………
C a b e ç a s Cortadas
Cabeças F a l a n t e s
I. Tal Coat » B – (…) Questão de grau. D – Mais. A tirania de um término discreto. O mundo como um fluxo de movimentos partilhados de tempo vivo, que de esforço, criação, liberação, a pintura, o pintor. O instante passageiro da sensação dada de volta, dada adiante, com o continuo contexto que ele alimenta. B – De qualquer forma um empurrar para uma expressão mais adequada de uma experiência natural, como revelada para a coanestesia vigilante. Se atingida através da submissão ou através da maestria, o resultado é um ganho em natureza. D – Mas o que esse pintor descobre, ordena, transmite, não é da natureza. Qual a relação entre uma dessas pinturas e a paisagem vista em uma certa idade, uma certa estação, uma certa hora? Nós não estamos em um plano um pouco diferente? B – Por natureza eu quero dizer aqui, como o realismo naïve, uma composição de percebedor e percebido, não um dado, uma experiência. Tudo que quero sugerir é que a tendência e realização dessas pinturas são fundamentalmente o mesmo das pinturas anteriores, uma tensão para esticar o compromisso com um enunciado. D – Você está negligenciando a imensa diferença entre o significado da percepção para Tal Coat e seu significado para a grande maioria de seus predecessores, compreendendo artistas com como um servo utilitarista, como em um congestionamento e melhorando superficialmente o resultado com a geometria euclidiana. A percepção global de Tal Coat é desinteressada, sem compromisso nem com a verdade nem com a beleza, os gêmeos tiranos da natureza. Eu posso ver o compromisso da pintura de antigamente, mas não aquela que você deplora em certo período de Matisse e em Tal Coat de hoje. B – Eu não deploro. Eu concordo que o Matisse em questão, como nas orgias franciscanas de Tal Coat, tem valores prodigiosos, mas um valor consignado com aqueles já acumulados. O que nós temos que considerar no caso dos pintores italianos não é que eles sobreviveram à visão do mundo como construtores contratados, um mero meio como qualquer outro, mas que eles nunca se movimentaram do campo do possível, porém muitos deles podem ter alargado isso. A única coisa perturbadora nos revolucionários Matisse e Tal Coat é uma certa ordem no plano do possível. D – Qual outro plano pode ter para o produtor? B – Nenhum logicamente. Mas mesmo assim eu falo de uma arte voltando disso com náusea, fatigado de façanhas pequenas, fatigado de se pretender capaz, de ser possível, de fazer um pouco melhor a mesma coisa antiga, de ir um pouco além por uma estrada sombria. D – E preferindo o quê? B - A expressão que não tem nada a se expressar, nada com o qual se expressar, nada por o qual se expressar, sem poder para se expressar, sem desejo de se expressar, junto com a obrigação de se expressar. D – Mas isso é um ponto de vista pessoal e extremamente violento que não tem nada a nos ajudar a respeito de Tal Coat. B – … D – Talvez isso seja o suficiente para hoje. II. Masson » B – Em busca da dificuldade mais do que de dominá-la. A inquietação dele que carece de adversário. D – Talvez seja porque ele fala, hoje em dia, tanto sobre pintar o vazio, “com medo e tremendo”. Sua preocupação era em uma certa hora com a criação de uma mitologia; então com o homem, não simplesmente no universo, mas na sociedade, e agora… “vazio espiritual, a condição primitiva, de acordo com os estéticos chineses, do ato de pintar”. Isso pareceria, em efeito, que Masson sofre mais penetrantemente da necessidade de descanso do que qualquer outro pintor vivo, i.e, estabelecer os dados do problema a ser resolvido, o problema ao menos. B – De qualquer forma um pouco familiar com os problemas que ele estabeleceu para si mesmo no passado e em que, por mero fato de sua solubilidade ou por qualquer outra razão, perdeu para ele sua legitimidade, eu sinto sua presença não muito longe desses quadros a óleo velados em consternação, e as cicatrizes de uma competência que deve ser ainda mais dolorosa para ele. Duas velhas dores que sem dúvida devem ser consideradas separadamente: a dor de querer saber o que fazer e a dor de esperar para ser capaz de fazer. D – Mas o objetivo declarado de Masson é agora reduzir essas dores, como vocês as chama, a nada. Ele ambiciona se libertar da servidão do espaço, que seus olhos possam “bailar no meio dos campos desfocados, tumultuando com a criação incessante”. Ao mesmo tempo ele exige a reabilitação do “vaporoso”. Isso pode parecer estranho em um temperamento mais adaptado por fogo do que úmido. Você vai obviamente responder que isso é a mesma coisa de antes, a mesma procura em busca de socorro da parte exterior. Mas como se pode esperar que Masson pinte o vazio? B – Ele não pinta. O que é bom de passar de uma posição sem defesa para uma outra, de procura, de justificação sempre no mesmo plano? Aqui está um artista que parece literalmente espetado no dilema feroz da expressão. Mas mesmo assim ele continua a ziguezaguear. O vazio que ele fala sobre é talvez simplesmente a destruição de uma presença insuportável, insuportável porque não é cortejado nem atacado. Se isso o angustia de desamparo nunca é declarado como tal, em seus próprios méritos e por sua própria vontade, talvez pela sua admissão muito ocasional como tempero para a “façanha” do risco de extermínio, a razão é duvidosa, no meio de outras coisas, que parece conter nisso mesmo a impossibilidade do enunciado. De novo uma atitude lógica primorosa. Em qualquer caso, é muito difícil ser confundido com o vazio. D – Masson fala muito da transparência – “aberturas, circulações, comunicações, penetrações desconhecidas” – onde ele pode bailar em sua tranqüilidade, sua liberdade. Sem renunciar os objetos, repulsivos ou deliciosos, que são nosso pão e vinho e veneno de todo dia, ele procura irromper deles partições para essa continuação do ser que é retirado da experiência ordinária da vida. Nisso ele se aproxima de Matisse (do primeiro período é preciso dizer) e Tal Coat, mas com essa notável diferença, que Masson tem que se contentar com seus dons técnicos, que tem a riqueza, a precisão, a densidade e equilíbrio do mais clássico gênero. Ou talvez eu devesse dizer da preferência de seu espírito, que ele já se mostrou capaz, quando foi preciso, de uma grande variedade técnica. B – O que você diz certamente lança luzes sobre o predicamento dramático deste artista. Permita-me apontar essa reclamação com as amenidades da liberdade e da tranqüilidade. As estrelas estão indubitavelmente soberbas, como Freud observou lendo a prova cosmológica de Kant sobre a existência de Deus. Com essas preocupações isso me parece impossível que ele fosse fazer alguma coisa diferente do que os melhores, incluindo ele, já tivessem feito. Talvez seja uma impertinência sugerir que ele queira. A sua inteligência tão extrema anota no espaço de uma respiração a mesma possessiva como os cadernos de Leonardo que, quando fala sobre disfazione, sabe que para ele nenhum fragmento vai estar perdido. Então me desculpe se eu recaio na mesma falta, como quando falávamos do Tal Coat que é tão diferente, do meu sonho de uma arte que não se ressente dessas insuperáveis indigências e muito orgulhosa da farsa de dar e receber. D – O próprio Masson, tendo observado essa perspectiva ocidental que não é mais do que uma série de armadilhas para a captura de objetos, declarou que sua possessão não interessa a ele. Ele parabeniza Bonnard por tendo, em seus últimos trabalhos, “indo além do espaço possessivo em toda figura e forma, longe de sobreviver e amarrar, ao ponto onde todas as possessões são dissolvidas”. Eu concordo que tem um longo lamento de Bonnard para essa pintura esgotada, “autenticamente estéril, incapaz de qualquer imagem”, que você aspira, e mais, quem sabe, talvez inconscientemente, que tende Masson. Mas nós realmente deploramos a pintura que admite “as coisas e as criaturas da primavera, resplandecente com desejo e afirmação, sem dúvida efêmero, mas imortal”, não para beneficiá-los, não para os divertir, mas em ordem do que é tolerável e radiante no mundo pode continuar? Nós estamos realmente deplorando a pintura que é uma reunião, entre todas as coisas do tempo que passa e nos apressa, em direção a um tempo que se prolonga e cresce? B – (Sai chorando). III. Bram van Velde » B – Atire primeiro, francês. D – Falando sobre Tal Coat e Masson você invocou uma arte de uma ordem diferente, não só deles, mas de qualquer uma feita até hoje. Estou certo em pensar que você tem van Velde na cabeça quando faz essa distinção chorosa? B – Sim. Eu acho que ele é o primeiro a aceitar uma certa situação e consentir com um certo ato. D – Seria muito pedir pra você a dizer de novo, o mais simples possível, a situação e o ato que você acredita ser dele? B – A situação dele é que ele é impotente, não pode atuar, no evento que ele não pode pintar, desde que ele seja obrigado a pintar. O seu ato que, impotente, incapaz de atuar, atua, nos eventos de pintura, desde que ele seja obrigado a pintar. D – Por que ele é obrigado a pintar? B – Eu não sei. D – E o resultado, você diz, é uma nova ordem de arte? B – No meio desses que chamamos de grandes artistas, eu não posso pensar em nenhum que seu lamento não seja predominante com sua expressão, possibilidades, desses do seu veículo, desses da humanidade. A hipótese se baseia em todas as pinturas é que o domínio de quem executa é o domínio do possível. O muito a se expressar, o pouco a se expressar, a habilidade de expressar muito, a habilidade de expressar pouco, se juntam em uma ansiedade comum a se expressar tanto quanto possível, ou o mais verdadeiramente possível, ou o mais belamente possível, o melhor se sua habilidade. O que – D – Um momento. Você está sugerindo que a pintura de van Velde é inexpressiva? B – (duas semanas depois) Sim. D – Você percebe o absurdo do que fala? B – Eu espero que sim. D – O que você está dizendo é isso: a forma de expressão conhecida como pintura, que somos obrigados a falar sobre por razões obscuras, teve que esperar até van Velde para se libertar da incompreensão sobre a qual foi trabalhada durante tanto tempo e tão bravamente, ou seja, que sua função era expressar, pelos meios da pintura. B – Outros sentiram que arte não é necessariamente expressão. Mas o número de tentativas feitas para fazer a pintura independente só conseguiu alargar o seu repertório. Eu acho que van Velde é o primeiro para qual a pintura é despojada, independente se você preferir, da ocasião em toda figura e forma, ideal tanto quanto material, e o primeiro em que as mãos não foram amarradas pela certeza que a expressão é um ato impossível. D – Mas isso não pode sugerir que, até mesmo para um desses tolerantes dessa fantástica teoria, a ocasião de sua pintura é seu predicamento, e que isso é expressão da impossibilidade de se expressar? B – Nenhum método mais ingênuo pode ser devolvido para restaurá-lo, salvo e sadio, para o peito de São Lucas. Mas deixe-nos, por uma vez, sermos tolos o suficiente para não virar de costas. Todos viraram de costas sabiamente, antes da última penúria, de volta à miséria onde destitui mães virtuosas que podem roubar pão para seus pirralhos famintos. Tem mais do que uma diferença de degrau entre estar sendo pequeno, pequeno em relação ao mundo, pequeno de si, e ser sem esses objetos estimados. Aquilo é um predicamento, o outro não. D – Mas você já falou sobre o predicamento de van Velde. B – Eu não deveria ter feito então. D – Você prefere a visão pura que ao menos é um pintor que não pinta, que não pretende pintar. Venha, venha, meu querido camarada, faça algum tipo de opinião conectada e então vá embora. B – Não seria o suficiente eu simplesmente ir embora? D – Não. Você começou. Termine. Comece de novo e continue até você ter terminado. Então vá embora. Tente e faça nascer a idéia na sua cabeça que o sujeito do qual falamos sobre não é você, nem Sufist Al-Haqq, mas um holandês particular com o nome de van Velde, até aqui referido erroneamente como um artiste peintre. B – Como seria se eu primeiro tivesse dito que eu estou satisfeito em imaginar que ele é, imaginando que faça, e então que é mais do que gostaria que ele fosse ou um pouco ao contrário? Não seria um assunto excelente para todas nossas aflições? Ele feliz, você feliz, eu feliz, todos os três borbulhando sobre, com felicidade. D – Faça como quiser, mas termine com isso. B – Tem muitos meios em que, a coisa que estou tentando dizer, pode ser em vão, dita. Eu experimentei, como você disse, tanto no publico como no privado, sob pressão, por fraqueza no coração, por fraquezas da mente, com duzentos ou trezentos. A antítese patética possessão-pobreza era talvez não a mais tediosa. Mas nós começamos a nos cansar dela, não começamos? A percepção que a arte sempre foi burguesa, apesar de que ela pode embotar nossa dor antes do alcance do progresso social, é, finalmente, de interesse limitado. A análise da relação entre o artista e a ocasião, uma relação sempre respeitada como indispensável, não parece ter sido muito produtiva também, a razão talvez seja que isso perde seu caminho em distinções da natureza da ocasião. É obvio que para o artista obcecado com sua vocação de expressão, qualquer coisa e tudo é amaldiçoado para se tornar ocasião, incluindo, como é aparentemente para alguns como o caso estendido de Masson, a perseguição da ocasião e os experimentos do tipo cada-homem-sua própria-esposa do espiritualizado Kandinsky. Nenhuma pintura é mais repleta do que a de Mondrian. Mas se a ocasião aparece como termos de relações instáveis, para o artista, que é o outro termo, é menos pior, graças a sua coelheira de modos e atitudes. As obsessões dessa visão dualista do processo criativo não são convincentes. Duas coisas estão estabelecidas, mas precariamente: a indisposição, de frutas em pratos e para a baixa matemática e comiseração própria, e a maneira de matar. Tudo que deveria nos preocupar é a ansiedade crescente e aguda da própria relação, como de qualquer forma sombreada mais e mais escuramente por um senso de inviabilidade, de inadequação, de existência no custo de tudo que excluí, tudo que cega. A história da pintura, lá vamos nós de novo, é a história das tentativas de escapar dessa sensação de falha, por um caminho mais autêntico, mais amplo, com menos relação exclusiva entre o representante e o representado, de um modo de um tropismo em direção a uma luz como para a natureza do qual as melhores opiniões continuam a variar, com um tipo de terror Pitagoriano… No meu caso, desde que eu estou na doca, é que van Velde é o primeiro a desistir desse esteticismo automático, o primeiro a submeter completamente à incoercível ausência de relação, na ausência de termos ou, se você preferir, na presença de termos não disponíveis… Não, não, me permita terminar. Eu sei que tudo isso é preciso agora, para poder trazer toda essa maneira horrível a uma conclusão aceitável, é fazer essa submissão, essa admissão, essa fidelidade à falha, uma nova ocasião, uma nova relação, e ao ato em que, incapaz de atuar, obrigado a atuar, ele faz, um ato expressivo, mesmo que só dele mesmo, de suas impossibilidades, de suas obrigações. Eu sei que minha inabilidade de fazer me coloca no meu lugar, e talvez um inocente, que eu penso que é ainda chamado de uma situação inviável, familiar a psiquiatras. Para o que é esse avião colorido, que não estava aqui antes. Eu não sei o que é, nunca vi nada disso antes. Parece que não tem nada a ver com arte, em todo caso, se minha memória estiver correta. (Prepara para ir). D – Não está se esquecendo de nada? B – Tem certeza que é o suficiente? D – Eu entendi que seu número era para ter duas partes. A primeira consistia em você dizendo o que você – hum – pensava. Essa parte eu estou preparado para acreditar que acabou. A segunda – B – (lembrando, com cordialidade) Sim, sim, eu estou errado, eu estou errado. »» 3 Diálogos entre Beckett & Duthuit…
(t.c./a.m./b.v.v.)
Eu sou em palavras, palavras do eu, palavras dos outros, que outros, o lugar também, o ar também, as paredes, o solo, o teto, as palavras, todo o universo está aqui, comigo, eu sou o ar, as paredes, o emparedado, tudo cede, se abre, deriva, reflui, flocos, sou todos esses flocos, cruzando-se, unindo-se, separando-se, aonde quer que eu vá me reencontro, me abandono, vou em minha própria direção, venho de mim, nunca mais do que eu, que uma parcela de mim, retomada, perdida, falhada, palavras, eu sou todas essas palavras, todos esses estranhos, essa poeira de verbo, sem chão onde pousar, sem céu onde se dissipar, reencontrando-se para dizer, fugindo-se para dizer, que eu as sou todas, as que se unem, as que se separam, as que se ignoram, e não outra coisa, sim, qualquer outra coisa, que sou qualquer outra coisa, uma coisa muda, ensurdecedora, num lugar duro, maleável, vazio, repleto, fechado, inermético, seco, amelgaçado, limpo, sórdido, noir, níveo, onde nada-tudo se move, nada-tudo fala, e que eu escute, e que te ouça, e que eu te busque como uma fera nascida na jaula feras nascidas na jaula feras nascidas na jaula feras nascidas na jaula feras nascidas na jaula feras nascidas na jaula feras nascidas no…
Inominável.
fragmento de uma das minhas videoartes, NUDO-DES-NUDO & vereda a F I L M: http://www.youtube.com/watch?gl=US&v=nILNz3qNZr8 (buster/beckett)
12 plays
fragmento de SPLEEN, álbum melgaciano baseado unicamente em ruídos
textes pour rien
- O Inaudível?
- Deus Ex-Machina...
umzieh den Maske!
…
foram logo
gritando alguns como se para proteger-se
mantinha os braços estendidos à frente
ser o único com o rosto descoberto em meio
a tantos mascarados ter-lhe-ia parecido
mil vezes pior do que se ver subitamente
nu entre pessoas vestidas com voz firme
disse se algum dos cavalheiros sente-se
ofendido em sua honra com minha presença
estou pronto a oferecer-lhe reparação da forma
habitual a máscara contudo somente a retiro
se todos os senhores fizerem o mesmo
cavalheiros
(schnitzler posto melgaço a nu)
objeto total
completo
com partes faltando
no lugar de
objeto parcial


(o.m./s.b.)




